terça-feira, 26 de maio de 2009

juiz de fora


cidade adolescente
cheia de vigor
busca sua identidade
sua autonomia
ao se ver dependente
busca a liberdade
mas lhe falta coragem
ou um trem qualquer

terça-feira, 19 de maio de 2009

do carpe diem

mais vale uma poesia vivida
do que dois versos em escrita.

terça-feira, 12 de maio de 2009

da perseverança

aquele que perseverava na desistência,
um dia desistiu de desistir.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Lament of the Indigenous Peoples

Oh Lord my God,

Lord of all nations, great and small,

 

We have heard from our Fathers,

and the Fathers of our Fathers,

of the gifts you had given us.

 

You had given us the trees and the animals.

            Among them we lived, from them we ate and we drank,

            Nature was our family and our sustenance.

 

But what you gave you also took away.

What was once our home

became our graves and our captivity.

 

Where was your Justice, oh God?

When the strong took the land from the weak

And said, “It is mine.”

When the industrious man with his crafty tools

Raped the land like a fragile woman.

 

Where was your Refuge, oh God?

When the Mighty with his arms

struck down the powerless.

When the Stranger brought pestilence

And destroyed those who were healthy.

 

Where was your Wisdom, oh God?

When the Astute took advantage of the Innocent

and robbed him of his living.

When the Unwise, with his foolish works

Triumphed over the Ingenuous.

 

Where was your Love, oh God?

When the Innovative man said to the Venerable,

            “My ways are better than your ways”

When the Master said to the Child,

            “You shall forget your Father’s ways.”

 

 

 

Your wrath came down on us

like the sharp swords of an army.

 

Yes, we are guilty of many sins,

And so is every man.

Have we wronged you more than they?

We have always looked for your words,

within ourselves, and in your creation.

            Have we failed to walk in your ways?

We did not know who you were,

            For no one had told us.

Are we to blame for our own ignorance?

Is your Love so narrow

that it cannot be manifested in a multitude of ways?

 

But where will we go,

            If you alone are everlasting hope?

 

Your Love is wider than the Night Sky;

Your Wisdom makes all men sound foolish;

Your Refuge is like a shelter in a rock.

 

Your Justice sublime, magnificent, ubiquitous,

            unfailing, impenetrable, inexorable.

 

Your Justice will shock and awe the whole earth,

            And we will fall at your knees and worship you,

            For you alone are worthy,

 

Oh Lord my God,

Lord of all nations, great and small.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Belo Horizonte (MG)



O novo Shopping-center rouba
meninas bonitas do
ônibus que vai para a Universidade.



de "Retratos do Brasil", Otavio Ramos.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

casa grande


Composição: Gladir Cabral


"A Casa Grande é branca e branda como a seda
Acolchoada, fina e nobre como a renda
Mas aqui fora reina a lei da reprimenda
Da palmatória, nossa praga, nossa prenda, ai, ai!
Doutores, caros, fortes, ricos e senhores
Que suspirais pela janela dos amores,
Rogai por nós, marcados por terríveis dores,
De vós vem nossas esperanças e temores...

Os nossos corpos sendo mortos pouco a pouco,
Os nossos sonhos já desfeitos, todos loucos...
Na Casa Grande há uma cruz numa parede...

No coração de um negro há uma Casa Nova,
Sem palmatória, sem corrente obrigatória,
Sem mais senhores, todos são, de todo, amigos
E nas paredes não há cristos esquecidos...
Nessa fazenda Deus é gente aproximada,
É dia inteiro, tarde, noite e madrugada,
Motivo, encontro, comunhão e caminhada,
Faz liberdade ser bem mais que uma palavra,
Ai, ai!

Os nossos corpos redimidos num momento
Bem mais veloz que a luz de todo pensamento...
A nossa Casa é muito mais que uma fazenda..."

segunda-feira, 23 de junho de 2008

O Que Bem Quiseres

Eis aqui meu coração
Machucado, envelhecido pela vida 
Ele, que já foi feliz, 
Hoje é só cicatriz, rancor
Ausência e dor,
Sofrer sem fim, temor em mim
Tens, ó Deus, meu coração 
Pra fazer dele o que bem quiseres
Só o calor de Tuas mãos 
O fará reviver, reluzir, renascer
Sob o Teu bem querer, Senhor.

Música de João Alexandre

*pintura: 'At Eternity's Gate' de Vincent van Gogh.

sábado, 14 de junho de 2008

bambo nada



Resolvi mudar o nome do meu blog. O termo “bamba” é ocasionalmente usado para se referir a alguém que é autoridade em algum assunto, um “fodão”, alguém que “manda bem pra caramba”, um expert.

Resolvi reafirmar, pra mim mesmo e pra todos aqueles que não acham nada melhor pra fazer na internet do que ler minhas esporádicas e medíocres divagações, que sou bamba. Sim, sou bamba sim sinhô! Bamba de bosta nenhuma! A verdade é esta: não sei nada sobre assunto nenhum. “Eterno aprendiz” (até pra citar o Gonzaguinha eu tive que ir no Google pra lembrar de quem era essa sabedoria suprema). Estou finalmente chegando a um momento “hipofânico” (epifania de cavalo, segundo Luís Fernando Veríssimo) de minha minha vida, no qual finalmente me dou conta de que realmente “tudo o que sei é que nada sei”.

Resolvi admitir que minha vida é um baita fingimento crônico. Constantemente eu finjo saber sobre vários assuntos, saber escrever, gostar de certas coisas, de certas pessoas, etc. O pior é que em muitos casos eu ainda sou um fracasso até no fingimento. Mas tudo bem até então, pois eu também finjo não ver tudo isso. Também finjo ser uma pá de coisas que não sou: inteligente, maduro, independente, culto, santo, esforçado, etc. Um caos inveterado de falsidade. Tudo isso pra manter uma aparência absurda pra um bando de gente cuja opinião não importa ou cuja opinião sobre mim não mudará se essas máscaras caírem. Talvez não seja toda minha vida uma completa mentira, mas tenho o vício de exagerar as aparências.

Resolvi, portanto, começar a tirar algumas dessas máscaras pra que eu possa aos poucos encontrar o visual genuíno do que há por baixo. Eu não sei ainda qual a cara que tenho. Faz tanto tempo que não mostro o rosto em público que não sei mais como ele deve parecer. Vou sim modificá-lo pra que tenha boa aparência no final das contas, mas hei de me esforçar pra que não haja mais máscaras.

Resolvi começar por um ponto crucial: minha fé. Admito que tenho dúvidas, que tenho dificuldades em crer em muita coisa, e que não tenho tenho dificuldade em descrer em outras. Reconheço também que isso não é conseqüência de uma meticulosa análise de princípios por um acadêmico dedicado. São dúvidas e decepções de alguém criado no meio cristão e que finalmente está conseguindo ver, de relance, o mundo através dos olhos do mundo. Não abandonei minha fé, e não creio que o farei. Apenas quero redescobri-la de forma mais genuína, sincera, sólida, pura. Seja lá que forma ela tome.

Resolvi dizer ao mundo que sou um bamba de nada. Que ando na corda bamba. Isso mesmo. Minha vida há de ser uma eterna busca. E que nunca chegue o dia em que coloque novamente uma máscara qualquer e diga: “bambo só ou bambo junto, mas bambo sim!” Vou ser gauche na vida! Porque metade de mim é pergunta e a outra metade é a busca.

Resolvido.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Tupi or not tupi - This is the question
























Erro de português

Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português

Oswald de Andrade

"Não permita Deus que eu morra sem que volte para lá. Não permita Deus que eu morra sem que eu possa transformar."




*Em homenagem ao Dia do Índio (19 de Abril).

segunda-feira, 7 de abril de 2008

mais um instante...



Um dia a areia branca
Meus pés irão tocar 
E vai molhar meus cabelos 
A água azul do mar 

Janelas e portas vão se abrir 
Pra poder me ver chegar 
E ao me sentir em casa 
Sorrindo vou chorar 

Debaixo dos fios negros dos meus cabelos 
Uma história pra contar 
De um mundo tão distante 
Debaixo dos fios negros dos meus cabelos 
Um soluço e a vontade 
De ficar mais um instante 

As luzes e o colorido 
Que posso ver agora 
Nas ruas por onde ando 
Na casa onde moro 

Eu olho tudo e nada 
Me faz ficar contente 
Eu só deseja agora 
Voltar pra minha gente 

Debaixo dos fios negros dos meus cabelos 
Uma história pra contar 
De um mundo tão distante 
Debaixo dos fios negros dos meus cabelos 
Um soluço e a vontade 
De ficar mais um instante 

Eu ando pela tarde 
E o meu olhar tristonho 
Deixa sangrar no peito 
Uma saudade, um sonho 

Um dia hão de me ver  
Chegando num sorriso 
Pisando a areia branca 
Que é meu paraíso